Internacional

Trump diz que espera acordo justo com a China e promete entrega rápida de submarinos à Austrália

20/10/2025

O presidente norte-americano reafirma a busca por equilíbrio nas relações comerciais com Pequim e acelera compromissos militares com a Austrália.


A tentativa de reequilibrar o comércio com a China

Durante coletiva na Casa Branca, o presidente Donald Trump declarou que espera alcançar um acordo justo e equilibrado com a China.
Segundo ele, o país asiático “tratou os Estados Unidos de forma desigual durante muitos anos”, o que teria prejudicado a indústria americana.
Por isso, afirmou que busca um novo modelo de relação comercial baseado em reciprocidade, transparência e competitividade real.

Além disso, Trump destacou que os EUA desejam manter o diálogo aberto com Pequim, mas sem abrir mão da soberania e dos interesses nacionais.
De acordo com o presidente, o objetivo é “restaurar o equilíbrio comercial e proteger os empregos americanos”, especialmente nos setores de tecnologia, energia e manufatura.

Contudo, ele também reconheceu que a China é um parceiro estratégico global e que um rompimento completo seria prejudicial para ambas as economias.
Dessa forma, o discurso sinalizou uma postura firme, mas não totalmente hostil, diferente dos períodos anteriores de escalada tarifária.


Compromisso reforçado com a Austrália

Enquanto defende negociações equilibradas com Pequim, Trump também reafirmou a aliança militar com a Austrália.
Durante encontro com o primeiro-ministro australiano Anthony Albanese, o presidente prometeu acelerar a entrega dos submarinos nucleares previstos no acordo AUKUS, que envolve Estados Unidos, Reino Unido e Austrália.

Segundo Trump, os Estados Unidos “farão o possível para cumprir os prazos” e “entregar rapidamente” as embarcações de defesa.
Ele ainda garantiu que o país está investindo em novas capacidades industriais para atender à demanda crescente da parceria.

Além disso, os líderes discutiram cooperação em tecnologia, segurança e minerais estratégicos, reforçando o papel da Austrália como um dos principais aliados dos EUA no Indo-Pacífico.
O gesto de Trump foi visto como uma mensagem direta à China, que observa com cautela o fortalecimento dessa aliança.


A importância estratégica da AUKUS

O pacto AUKUS foi criado em 2021 como parte do esforço ocidental para contrabalançar a influência chinesa na região do Indo-Pacífico.
O acordo prevê o compartilhamento de tecnologia nuclear para fins navais, algo historicamente restrito aos aliados mais próximos de Washington.

Nesse contexto, a promessa de Trump de acelerar o cronograma de entrega tem forte valor simbólico.
Ela sinaliza que os Estados Unidos pretendem manter sua liderança na segurança regional, mesmo diante das tensões comerciais com Pequim.

Entretanto, especialistas em defesa lembram que a construção de submarinos nucleares exige anos de desenvolvimento, testes e certificações.
Portanto, embora o discurso seja otimista, a execução dependerá de fatores técnicos e orçamentários.


O equilíbrio entre diplomacia e dissuasão

Por outro lado, analistas avaliam que Trump tenta reconciliar duas frentes opostas: manter a pressão comercial sobre a China e, ao mesmo tempo, preservar a estabilidade regional.
Enquanto promove uma retórica de força, ele busca evitar rupturas que possam desestabilizar mercados e alianças.

Além disso, o compromisso com a Austrália funciona como contrapeso estratégico.
Ao reforçar a AUKUS, os Estados Unidos enviam uma mensagem de poder e confiança aos parceiros asiáticos, mostrando que continuam comprometidos com a defesa da região.

Nesse cenário, a diplomacia americana se move com cautela.
Trump tenta equilibrar interesses econômicos, militares e políticos, demonstrando pragmatismo em um tabuleiro global cada vez mais competitivo.


Conclusão: firmeza e estratégia calculada

As declarações de Trump refletem uma tentativa clara de manter os Estados Unidos como líder global, combinando negociações firmes com medidas de dissuasão militar.
Enquanto busca um acordo “justo” com a China, o presidente também fortalece a cooperação com a Austrália, reforçando a presença americana no Indo-Pacífico.

Dessa forma, o discurso combina pragmatismo econômico e estratégia geopolítica, revelando que o governo norte-americano pretende avançar tanto na mesa de negociações quanto no campo da defesa.