Saúde / Bem-estar

A Importância da Suplementação na Gestação — e Como Escolher com Segurança

11/10/2025


Introdução

Durante a gestação, o corpo feminino passa por transformações profundas. Nesse período, aumenta significativamente a necessidade de nutrientes essenciais para o desenvolvimento do bebê e para a saúde da mãe. Entre os mais importantes estão ácido fólico, ferro, cálcio, vitamina D, colina, ômega-3 e iodo — todos fundamentais para a formação do cérebro, da tireoide e para o equilíbrio hormonal.

Ainda que uma alimentação equilibrada contribua bastante, ela nem sempre supre todas as demandas do organismo. Por isso, a suplementação correta é uma das principais aliadas da gestante moderna. Diretrizes médicas, como as da American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG) e da American Thyroid Association (ATA), confirmam a importância de ajustar a nutrição com acompanhamento profissional.


Por que o Iodo é Tão Importante na Gestação

O iodo é indispensável para o bom funcionamento da tireoide, órgão responsável por regular o metabolismo e o crescimento do bebê. Quando há deficiência desse mineral, o risco de hipotireoidismo materno, baixo peso ao nascer e prejuízos cognitivos aumenta consideravelmente.

Segundo a ATA, mulheres que planejam engravidar, gestantes e lactantes devem consumir 150 mcg de iodo por dia por meio de suplementos específicos. Essa medida garante o equilíbrio hormonal e o desenvolvimento neurológico do feto.

Por outro lado, o excesso de iodo também pode ser prejudicial. Por isso, é essencial que a suplementação seja feita com orientação médica individualizada e baseada em exames laboratoriais.


O Brasil Ainda Está Atrasado na Obstetrícia

Nos últimos anos, o Brasil avançou em áreas como o pré-natal e o acesso a exames preventivos. No entanto, o país ainda está muito atrás de nações desenvolvidas como o Japão, a Suíça e os países nórdicos. Nessas regiões, a medicina prioriza a prevenção, a alimentação natural e o parto humanizado, enquanto no Brasil persiste um modelo medicalizado e dependente de fórmulas industrializadas.

Nos hospitais japoneses, por exemplo, a conduta médica é extremamente cautelosa. O uso de medicamentos durante a gestação é limitado e rigorosamente controlado. Em vez de prescrever fármacos desnecessários, os profissionais priorizam tratamentos naturais, suplementação adequada e apoio emocional à gestante. Além disso, o Japão é referência mundial em incentivo ao aleitamento materno, oferecendo suporte psicológico e acompanhamento pós-parto.

Enquanto isso, o cenário brasileiro segue preocupante. Ainda há excesso de prescrição de medicamentos, pouca orientação nutricional e forte influência da indústria farmacêutica e alimentícia. O leite materno, comprovadamente essencial para a imunidade, a inteligência e o vínculo afetivo, continua sendo substituído precocemente por fórmulas artificiais.

Essa diferença mostra que o Brasil precisa urgentemente valorizar a saúde natural e o protagonismo da mulher no processo gestacional. Mudar o modelo obstétrico é fundamental para proteger mães e bebês e para promover uma geração mais saudável.


Algas Marinhas: Podem Ajudar — Mas Exigem Cautela

As algas marinhas são fontes naturais de iodo, especialmente as pardas, como kelp e konbu. No entanto, o consumo exagerado pode ultrapassar o limite seguro e causar distúrbios na tireoide da mãe e do bebê.

Por essa razão, órgãos de nutrição britânicos, como o UK Iodine e a BDA, não recomendam o uso de suplementos de kelp durante a gestação. A alternativa mais segura é utilizar sal iodado de boa procedência e, quando necessário, suplementos pré-natais padronizados com 150 mcg de iodo.

Resumo prático:

  • Prefira sal iodado em quantidades equilibradas.
  • Evite algas pardas e cápsulas de kelp.
  • Faça suplementação apenas com orientação médica.

Alimentos a Evitar: Farinha Branca e Ultraprocessados

A farinha branca é pobre em fibras e rica em carboidratos simples, o que provoca picos de glicose e aumenta o risco de diabetes gestacional. Além disso, contribui para o ganho de peso e a retenção de líquidos.

Portanto, é melhor substituir alimentos refinados por integrais e priorizar opções ricas em fibras e vitaminas.
Trocas inteligentes:

  • Pão branco → pão integral
  • Arroz branco → arroz integral ou quinoa
  • Bolos e biscoitos → aveia, frutas e sementes

Outro ponto importante é garantir a ingestão de ferro, ácido fólico, vitamina D, cálcio, colina e ômega-3. Esses nutrientes fortalecem o sistema imunológico e contribuem diretamente para o crescimento e a formação do bebê.


Por Que Países Desenvolvidos Usam Menos Remédios na Gestação

Nos países desenvolvidos, o uso de medicamentos segue protocolos rígidos e transparentes. No Japão, por exemplo, cada remédio é classificado conforme o trimestre da gravidez, e as bulas descrevem os riscos com clareza.

Antes de qualquer prescrição, o médico explica o motivo, avalia o benefício e registra a decisão em prontuário. Essa postura cria confiança, segurança e responsabilidade compartilhada entre médico e paciente.

No Brasil, esse cuidado ainda é limitado. Muitas gestantes tomam medicamentos sem entender os riscos, o que reforça a necessidade de educação, ética e acompanhamento personalizado.


Checklist para a Consulta Pré-Natal

✔️ Leve seus exames atualizados e suplementos em uso.
✔️ Pergunte se o consumo de sal iodado é suficiente.
✔️ Revise com o médico o uso de algas ou cápsulas naturais.
✔️ Solicite um plano alimentar personalizado.
✔️ Questione sobre alternativas seguras antes de aceitar qualquer prescrição.


Conclusão

A suplementação correta e equilibrada protege mãe e bebê.
Em contrapartida, o uso indiscriminado de vitaminas ou produtos “naturais” pode gerar riscos sérios.

Por isso, a melhor escolha é sempre aliar boa alimentação, orientação médica e informação de qualidade.
Países como o Japão mostram que é possível cuidar da gestação com menos remédios e mais sabedoria natural.
Se o Brasil seguir esse caminho, poderá garantir maternidades mais seguras, humanas e conscientes.