19/10/2025
Subtítulo (Lead)
O ex-general venezuelano Hugo Armando Carvajal, conhecido como “El Pollo”, confessou crimes de narcotráfico e firmou acordo de cooperação com autoridades norte-americanas. Sua delação, ainda sob sigilo, pode revelar conexões entre o poder político e o tráfico de drogas na América Latina.
Introdução
A prisão e a delação do ex-general venezuelano Hugo Armando Carvajal Barrios, conhecido como “El Pollo”, despertaram grande apreensão em diversos setores políticos da América Latina. O antigo chefe de inteligência da Venezuela confessou crimes de narcotráfico e narcoterrorismo perante a Justiça dos Estados Unidos.
Desde então, ele coopera com as autoridades norte-americanas, o que aumenta a expectativa por revelações que podem envolver governos e militares da região. Além disso, seu acordo judicial reforça a pressão sobre o regime venezuelano e abre espaço para novas investigações internacionais.
Quem é Hugo Carvajal
Hugo Carvajal nasceu em 1960, na cidade de Puerto La Cruz, na Venezuela. Militar de carreira, ele se destacou durante o governo de Hugo Chávez, quando passou a ocupar cargos estratégicos na área de inteligência. Entre 2004 e 2011, comandou a Direção de Inteligência Militar (DIM) e se tornou uma das figuras mais poderosas do país.
Durante esse período, segundo investigações dos Estados Unidos, Carvajal utilizou sua posição para facilitar operações de tráfico de drogas ligadas ao Cártel de los Soles, um grupo formado por militares venezuelanos. Em 2008, o Departamento do Tesouro dos EUA incluiu seu nome na lista de sanções da Oficina de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), alegando que ele colaborava com a guerrilha colombiana das FARC e ajudava no transporte de cocaína.
Prisão, extradição e julgamento
Em 2019, Carvajal foi preso na Espanha a pedido da Justiça norte-americana. Apesar de tentar impedir sua extradição, ele perdeu a batalha judicial e acabou transferido para os Estados Unidos em julho de 2023.
Pouco tempo depois, em 25 de junho de 2025, Carvajal declarou-se culpado por quatro acusações, entre elas conspiração para importar cocaína e narcoterrorismo.
O Departamento de Justiça dos EUA afirmou que o ex-militar usou sua posição para corromper instituições venezuelanas e permitir o envio de toneladas de cocaína aos Estados Unidos.
Durante o processo, ele assinou um acordo de cooperação judicial, comprometendo-se a entregar documentos e informações em troca de benefícios legais. Assim, sua delação se tornou uma das mais aguardadas do cenário político latino-americano.
A delação e o que ela pode revelar
De acordo com fontes da promotoria norte-americana, Carvajal apresentou informações detalhadas sobre o funcionamento do Cártel de los Soles, explicando rotas de transporte, conexões políticas e esquemas de lavagem de dinheiro.
Além disso, ele teria descrito a relação entre os militares venezuelanos e as FARC, que, segundo os investigadores, atuavam como parceiras estratégicas no tráfico de cocaína.
Embora o conteúdo da delação permaneça em sigilo, jornais internacionais como El País e Reuters relatam que as informações podem envolver autoridades de outros países latino-americanos.
Por esse motivo, a delação causa apreensão em vários governos, especialmente entre os aliados políticos do regime chavista.
Menções ao Brasil e a Lula da Silva
Algumas reportagens internacionais indicam que Carvajal mencionou o Brasil e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao falar sobre supostos repasses de recursos ilegais para campanhas políticas de esquerda.
Contudo, até o momento não existem provas documentais ou decisões judiciais que confirmem essas alegações.
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos não apresentou nenhuma denúncia formal contra autoridades brasileiras.
Enquanto isso, as informações fornecidas por Carvajal continuam sendo analisadas no âmbito da cooperação internacional.
Portanto, qualquer ligação direta entre o Brasil e o esquema descrito ainda carece de confirmação oficial.
Repercussão na América Latina
Em Caracas, o governo de Nicolás Maduro negou todas as acusações e classificou o caso como uma “armação política”.
Nos Estados Unidos, as autoridades veem a confissão de Carvajal como um avanço na luta contra o narcotráfico patrocinado por Estados.
Segundo promotores, ele foi o elo entre as Forças Armadas da Venezuela e os cartéis colombianos, coordenando operações bilionárias de tráfico.
Enquanto isso, outros países, como o Brasil e a Colômbia, acompanham o caso com cautela. Nenhum órgão brasileiro, até agora, foi oficialmente citado nos autos do processo.
O que está confirmado e o que segue em investigação
Fatos confirmados:
- Carvajal foi extraditado da Espanha e está preso nos Estados Unidos.
- Ele confessou crimes de tráfico e narcoterrorismo.
- Firmou um acordo de cooperação judicial.
- Entregou informações sobre o Cártel de los Soles e sua ligação com as FARC.
Ainda sob investigação:
- O conteúdo completo da delação e os nomes de políticos mencionados.
- O possível envolvimento de outros países latino-americanos, inclusive o Brasil.
- A autenticidade dos documentos e o alcance das informações entregues.
Linha do Tempo – Caso Hugo Carvajal
| Data | Evento |
|---|---|
| 2004–2011 | Direção da Inteligência Militar da Venezuela. |
| 2008 | Sanção dos EUA por envolvimento com o tráfico e as FARC. |
| 2019 | Prisão na Espanha a pedido da Justiça norte-americana. |
| 2021 | Nova prisão em Madri; extradição reativada. |
| Julho de 2023 | Extradição concluída para os EUA. |
| Junho de 2025 | Declara-se culpado e aceita o acordo de cooperação. |
| 2025 – presente | Delação sob sigilo; investigações internacionais continuam. |
Conclusão
A prisão de Hugo Carvajal representa um marco na história recente da América Latina. Seu papel no regime chavista e sua delação nos Estados Unidos colocam em evidência a ligação entre poder político e crime organizado.
Apesar de haver alegações sobre o envolvimento de outros países, como o Brasil, essas informações ainda não foram comprovadas.
Consequentemente, o caso permanece em investigação e deve gerar novos desdobramentos à medida que as autoridades norte-americanas analisam os documentos entregues.
Por fim, o processo de Carvajal demonstra como a corrupção estatal e o narcotráfico internacional continuam sendo desafios complexos para a estabilidade política do continente.





