Política

Lula participa de caminhada pelos 95 anos do MEC em tentativa de recuperar imagem política

29/09/2025

Politica

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou, neste domingo (28), de uma caminhada em comemoração aos 95 anos do MEC (Ministério da Educação), realizada na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. O chefe do Executivo percorreu cerca de três quilômetros ao lado de ministros, apoiadores e da primeira-dama, Janja da Silva.

Durante o evento, Lula adotou um tom de contraste em relação ao governo de seu antecessor, Jair Bolsonaro (PL), ainda que sem citá-lo diretamente. “Na nossa atividade não tem motociata, não tem pornochanchada, tem caminhada com educadores”, ironizou o petista, em referência a agendas marcantes da gestão anterior.

Em vídeo gravado ao longo do percurso, o presidente destacou a importância da educação como pilar da soberania nacional, em um momento em que o Brasil enfrenta pressões externas e sanções diplomáticas vindas dos Estados Unidos.

“Essa é a caminhada da soberania educacional do Brasil. Temos consciência de que é através da educação — da creche à universidade, da alfabetização a um curso de engenharia — que o Brasil se tornará soberano, para que nunca mais ninguém dê palpite sobre o nosso país”, afirmou Lula.

Embora anunciada como caminhada, em alguns trechos o presidente chegou a correr, sendo acompanhado por auxiliares próximos.

Entre os presentes estavam os ministros Fernando Haddad (Fazenda), Camilo Santana (Educação), Alexandre Padilha (Saúde), Alexandre Silveira (Minas e Energia) e a deputada Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais). Também compareceram Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, e Edinho Silva, presidente nacional do PT.

Tentativa de recuperar a imagem

A iniciativa, além de celebrar a história do MEC, é interpretada por analistas políticos como uma tentativa de Lula recuperar sua imagem e reforçar apoio popular em meio a uma série de crises enfrentadas pelo governo. Entre os principais desafios estão a pressão econômica, com críticas à condução da política fiscal, a queda de aprovação popular em setores estratégicos e as tensões diplomáticas com os Estados Unidos, que vêm impondo restrições ao Brasil.

O ato buscou transmitir uma mensagem de proximidade com a população, valorização da educação e resistência política. Ao lado de ministros e apoiadores, Lula procurou reforçar sua imagem de líder ativo, disposto a retomar o protagonismo em um cenário hostil, marcado por escândalos recentes, pressões econômicas e índices de desaprovação popular em crescimento. A caminhada, nesse contexto, foi interpretada como uma estratégia simbólica para reaproximar-se da base social, recuperar confiança e projetar resiliência política diante das adversidades.