18/10/2025
Em um movimento que pode redefinir o cenário político de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu, na quinta-feira (16), o bispo Samuel Ferreira, uma das lideranças evangélicas mais influentes do país.
O encontro ocorreu no Palácio do Planalto e foi marcado por orações, presentes simbólicos e diálogos sobre o futuro do Brasil. Essa aproximação indica uma estratégia política clara: fortalecer o contato com o Ministério de Madureira, o maior ramo da Assembleia de Deus, que conta com milhões de fiéis em todo o território nacional.
Uma aliança de impacto político e religioso
Durante a reunião, também esteve presente o advogado-geral da União, Jorge Messias, evangélico e nome mais cotado para a vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Essa presença reforça o interesse do governo em conquistar o eleitorado cristão, que representa 30% da população brasileira.
Nos últimos anos, a maioria desse público apoiou Jair Bolsonaro, o que torna essa reaproximação com o segmento evangélico um movimento estratégico e necessário para o atual governo. Assim, Lula tenta diminuir a rejeição e reconstruir pontes com esse grupo.
Reação negativa entre fiéis: “aliança com Balaão”
Apesar da tentativa de diálogo, a iniciativa gerou forte reação negativa entre os fiéis. Muitos classificaram a atitude do bispo como uma traição aos princípios cristãos. Nas redes sociais, diversos pastores e membros o chamaram de “Balaão”, numa referência ao profeta bíblico que traiu Israel em troca de recompensas materiais.
Na Bíblia, Balaão conhecia a vontade de Deus, mas cedeu ao interesse pessoal e aconselhou o rei Balaque a seduzir os israelitas com idolatria e imoralidade (Números 31:16; Apocalipse 2:14). Para muitos cristãos, o gesto de Samuel Ferreira reflete o mesmo erro espiritual: abrir mão da fé em troca de influência política.
Paralelo com a Coreia do Norte: o alerta da história
Essa aliança levanta um alerta histórico preocupante. Durante a ascensão do regime comunista na Coreia do Norte, o ditador Kim Il-sung, pai de Kim Jong-un, buscou apoio político de pastores e líderes cristãos. Ele prometeu liberdade religiosa e diálogo com a igreja.
No entanto, após consolidar o poder, o regime fechou igrejas, perseguiu fiéis e executou pastores, inclusive aqueles que haviam o apoiado. Muitos estudiosos consideram esse episódio um exemplo trágico de manipulação política da fé.
Por isso, líderes evangélicos brasileiros alertam: o bispo Samuel Ferreira pode repetir o mesmo erro desses pastores. Quando a igreja se aproxima demais do poder, acaba servindo à política e não ao evangelho.
Críticas ao governo e à pauta ideológica
O desconforto cresce também pela visão ideológica do governo Lula, considerada contrária aos valores bíblicos. Entre as críticas mais citadas estão:
- A desconstrução da família tradicional;
- O afastamento dos valores morais e patrióticos;
- O apoio ao aborto;
- E a relação distante com Israel, nação que os cristãos consideram o povo escolhido de Deus.
Além disso, críticos afirmam que o presidente mantém afinidade com ideias de Karl Marx, o que para muitos cristãos representa uma cosmovisão antibíblica. Assim, líderes religiosos questionam: como um bispo pode apoiar um governo que nega princípios da fé que ele prega?
Repercussões dentro da Assembleia de Deus
Fontes ligadas ao Ministério de Madureira relatam revolta e perplexidade entre pastores regionais e fiéis. Muitos afirmam que o gesto do bispo não representa a maioria da igreja e pode gerar crise interna de credibilidade.
Por outro lado, há quem veja o episódio como um teste para o futuro político das igrejas evangélicas no país. Se a aliança se confirmar, ela poderá dividir lideranças, influenciar eleições e enfraquecer a unidade do movimento pentecostal.
Entre a fé e o poder: um dilema perigoso
A história mostra que, sempre que a igreja se curva ao poder político, a fé perde força. Assim como Balaão, que trocou sua missão profética por benefícios materiais, e como os pastores norte-coreanos que acreditaram em promessas e foram traídos, Samuel Ferreira corre o mesmo risco.
A igreja deve lembrar: a fé não negocia valores, e alianças políticas podem custar caro. Enquanto isso, o governo Lula continua costurando apoios e ampliando alianças, tentando garantir estabilidade e força eleitoral para 2026.




