08/11/2025
A Conferência do Clima da ONU (COP30) será realizada em novembro de 2025, em Belém do Pará. O evento é considerado estratégico pelo governo federal, tanto para reforçar o protagonismo do Brasil nas pautas ambientais quanto para melhorar a imagem internacional do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No entanto, os gastos milionários já despertam críticas sobre o real propósito desses investimentos.
Bilhões em investimentos públicos
O governo brasileiro destinou valores expressivos à preparação da COP30. Estimativas apontam mais de R$ 4,5 bilhões em obras e contratos públicos. A maioria dos recursos vem de convênios entre o governo federal, o governo do Pará e a Organização de Estados Ibero-Americanos (OEI).
Somente a OEI recebeu quase R$ 1 bilhão para apoiar a organização e a execução do evento. Além disso, a Embratur administrará cerca de R$ 400 milhões voltados à hospedagem e à infraestrutura turística. O governo também investe em dois navios-transatlânticos para acomodar parte das delegações estrangeiras, ao custo de R$ 263 milhões.
Infraestrutura e imagem política
Belém foi escolhida para sediar a COP30 por representar a Amazônia, região central no debate climático global. O governo acredita que o evento trará benefícios duradouros: melhorias no turismo, modernização urbana e maior visibilidade internacional.
Contudo, críticos afirmam que o foco vai além da pauta ambiental. Para muitos analistas, Lula busca na COP30 uma oportunidade de reconstruir sua imagem no exterior, especialmente após o desgaste de seu governo com pautas econômicas e ambientais controversas.
Além disso, a conferência funciona como vitrine política. O Brasil pretende se apresentar como líder na defesa da Amazônia e das florestas tropicais, reforçando o discurso de “país verde”. Por outro lado, parte da opinião pública considera o evento uma tentativa de autopromoção com recursos públicos.
Problemas e contradições
Os preparativos da COP30 enfrentam diversos obstáculos. Faltam hotéis, as diárias subiram de forma abusiva e algumas delegações já reclamam dos custos. Diárias de até US$ 700 estão sendo cobradas durante o evento, segundo veículos internacionais.
A cidade ainda sofre com obras atrasadas e problemas estruturais. Além disso, a falta de segurança e mobilidade preocupa as equipes técnicas. Críticos afirmam que, enquanto o governo fala em sustentabilidade, os gastos excessivos e a construção de novas estruturas contrastam com o discurso ambiental.
O legado e as incertezas
O governo Lula aposta que a COP30 deixará um legado positivo. Obras de mobilidade, investimentos turísticos e visibilidade internacional são usados como justificativa para os altos gastos. No entanto, parte dos especialistas alerta que sem resultados concretos, o evento pode se tornar símbolo de desperdício e de uso político da agenda climática.
Por fim, a COP30 será um teste para o governo. Se conseguir mostrar resultados reais, Lula reforçará sua imagem como líder ambiental e diplomático. Mas se os problemas logísticos e os custos milionários dominarem as manchetes, o tiro pode sair pela culatra.





