20/01/2026
A expressão “o amigo do amigo do meu pai” tornou-se um dos símbolos mais marcantes das revelações da Operação Lava Jato. O termo apareceu em planilhas da Odebrecht e, rapidamente, ganhou repercussão nacional ao ser associado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli.
Desde então, a frase passou a representar, para parte da sociedade, a percepção de proximidade entre autoridades e escândalos de corrupção investigados no país.
A origem da expressão
Durante as investigações da Lava Jato, investigadores apreenderam documentos internos da Odebrecht. Nessas planilhas, a empreiteira utilizava apelidos para identificar autoridades citadas em supostos repasses irregulares.
Entre esses codinomes, surgiu a expressão “amigo do amigo do meu pai”. Naquele momento, integrantes da força-tarefa interpretaram o termo como uma possível referência a Dias Toffoli, que antes de integrar o STF havia atuado como advogado do Partido dos Trabalhadores.
Por isso, o caso ganhou grande espaço na imprensa e intensificou o debate sobre possíveis conflitos de interesse no Judiciário.
Apurações e decisões judiciais
Apesar da forte repercussão, o Ministério Público não apresentou denúncia contra o ministro. Dias Toffoli negou qualquer envolvimento com esquemas de corrupção e afirmou que nunca solicitou nem recebeu vantagens ilícitas.
Posteriormente, as autoridades arquivaram os procedimentos relacionados ao caso. Segundo os investigadores, as anotações internas não comprovavam a existência de repasses nem indicavam atos concretos que sustentassem uma acusação formal.
Assim, o caso não avançou no âmbito judicial.
Atuação no STF e críticas
Anos depois, Toffoli voltou ao centro do debate público ao proferir decisões que impactaram diretamente processos da Lava Jato. Entre elas, o ministro anulou provas e criticou métodos adotados pela força-tarefa.
Por um lado, seus defensores afirmam que ele atuou para corrigir excessos e garantir o devido processo legal. Por outro, críticos argumentam que essas decisões enfraqueceram o combate à corrupção e ampliaram a sensação de impunidade no país.
Consequentemente, o nome do ministro passou a ser associado não apenas ao episódio simbólico, mas também à revisão do legado da operação.
Reflexos na confiança institucional
Mesmo sem condenações, o episódio do “amigo do amigo do meu pai” produziu efeitos duradouros na percepção pública. Muitos brasileiros passaram a questionar a independência das instituições e a relação entre os poderes da República.
Além disso, o caso reforçou a desconfiança de parte da população quanto à capacidade do sistema de responsabilizar autoridades de alto escalão.
Conclusão
O episódio envolvendo Dias Toffoli permanece como um marco simbólico de um período turbulento da história recente do Brasil. Embora não tenha resultado em condenação, a expressão continua presente no debate público.
Em síntese, mais do que um caso jurídico, trata-se de um símbolo da crise de confiança institucional que se aprofundou durante e após a Operação Lava Jato.





