12/10/2025
O mercado financeiro brasileiro encerrou a semana em clima de forte tensão.
O dólar comercial disparou 2,38%, encerrando a sexta-feira (10) cotado a R$ 5,5031, no maior patamar em mais de dois meses.
Enquanto isso, o Ibovespa, principal índice da B3, caiu 0,73%, fechando aos 140.680 pontos.
Esse movimento refletiu a combinação de tensões geopolíticas internacionais e preocupações fiscais domésticas.
A ameaça de Trump e o impacto global
A disparada da moeda americana foi motivada, em grande parte, por novas declarações de Donald Trump.
O ex-presidente dos Estados Unidos ameaçou impor tarifas adicionais sobre produtos chineses, reacendendo temores de uma nova guerra comercial.
Como consequência, investidores do mundo inteiro buscaram proteção no dólar, considerado um ativo de segurança em momentos de incerteza.
Por outro lado, moedas emergentes — como o real — sofreram forte desvalorização.
Além disso, o aumento das tensões entre as duas maiores economias do planeta elevou o risco de interrupção nas cadeias de suprimentos globais, o que afeta diretamente o comércio exterior e o preço das commodities.
Preocupações fiscais agravam o cenário no Brasil
Ao mesmo tempo, o ambiente interno também pressionou o câmbio.
Nas últimas semanas, surgiram rumores de que o governo pretende anunciar um pacote de estímulos econômicos com gastos adicionais para 2026.
Entretanto, ainda não há clareza sobre como essas medidas seriam financiadas.
Esse cenário elevou o temor de desequilíbrio fiscal, fazendo com que investidores reduzissem sua exposição a ativos brasileiros.
Além disso, a insegurança política e as constantes revisões nas metas de déficit público reforçaram a fuga de capitais.
Como resultado, o dólar voltou a ser visto como um refúgio seguro, especialmente em tempos de incerteza.
Bolsa sente o impacto e encerra em queda
A B3 acompanhou o clima de cautela e terminou o dia em queda.
O Ibovespa recuou 0,73%, com destaque para as perdas de grandes companhias como Petrobras, Vale e Itaú.
Além disso, o volume financeiro negociado foi baixo — cerca de R$ 22,9 bilhões —, indicando redução no apetite por risco.
De acordo com analistas, o mercado opera em modo de defesa.
“Os investidores estão evitando novas posições até que haja clareza sobre o cenário fiscal e político”, explicou um consultor da Guide Investimentos.
Portanto, o sentimento predominante foi de cautela, e a tendência é de que a volatilidade continue nos próximos dias.
Efeitos diretos na economia e no bolso do brasileiro
O fortalecimento do dólar traz impactos imediatos na economia real.
Primeiramente, os produtos importados ficam mais caros, pressionando os preços no varejo.
Além disso, o custo de insumos industriais e agrícolas também sobe, elevando o risco de inflação.
Para o consumidor, o reflexo é claro: viagens internacionais, eletrônicos e combustíveis passam a pesar mais no orçamento.
Por outro lado, exportadores podem se beneficiar, já que um câmbio mais alto aumenta a competitividade dos produtos brasileiros no exterior.
Contudo, se a cotação permanecer acima de R$ 5,50, o Banco Central pode intervir no mercado de câmbio, seja por meio de venda de dólares, seja elevando juros futuros para conter a pressão inflacionária.
O que acompanhar nos próximos dias
Nos próximos pregões, o mercado deve continuar atento a quatro pontos principais:
- Novas declarações dos EUA e da China — qualquer escalada nas tensões pode ampliar a volatilidade.
- Sinais sobre o orçamento brasileiro — medidas que indiquem aumento de gastos tendem a pressionar o câmbio.
- Atuação do Banco Central — eventuais intervenções podem ajudar a conter o dólar.
- Movimento de capitais estrangeiros — saídas intensas reduzem a liquidez e elevam a instabilidade.
Além disso, dados econômicos norte-americanos, como inflação e emprego, podem influenciar diretamente o humor dos investidores.
Análise final
A disparada do dólar e a queda do Ibovespa refletem uma combinação perigosa: risco político interno e tensão internacional.
Embora o impacto imediato tenha sido limitado, o prolongamento desse cenário pode comprometer o crescimento econômico brasileiro.
De forma geral, especialistas recomendam prudência.
Enquanto o ambiente global não se estabiliza, o Brasil precisa mostrar responsabilidade fiscal e clareza nas políticas públicas para evitar uma fuga ainda maior de investimentos.
“O momento exige equilíbrio e transparência. Sem isso, o mercado continuará reagindo com volatilidade”, afirmou um analista da XP Investimentos.




