02/11/2025
Da escuridão à luz
Bartolo Longo nasceu em 10 de fevereiro de 1841, na pequena cidade de Latiano, no sul da Itália. Criado em uma família católica devota, ele aprendeu desde cedo os princípios da fé. No entanto, ao ingressar na Universidade de Nápoles, sua vida tomou outro rumo.
Atraído por ideias materialistas e correntes anticristãs que ganhavam força na época, Bartolo se afastou das práticas religiosas. Em pouco tempo, mergulhou em um período de profunda confusão espiritual e emocional. Foi então que, em meio à fragilidade pessoal, acabou envolvido com práticas ocultistas e chegou a participar de cultos satânicos, experiência que marcaria profundamente sua alma.
O abismo interior
Durante os anos de afastamento da fé, Bartolo sentiu o peso da culpa e da solidão. Ele relatou ter vivido depressão, crises de ansiedade e uma sensação constante de vazio.
Apesar de tentar encontrar sentido nas práticas ocultas, percebeu que sua vida se tornava cada vez mais sombria. Em determinado momento, enquanto caminhava sozinho, afirmou ter ouvido uma voz interior que o chamava de volta para Deus. A partir desse instante, decidiu mudar completamente de direção.
A conversão e a missão
Determinando-se a abandonar o passado, Bartolo procurou orientação espiritual e reencontrou a paz ao conhecer o Padre Alberto Radente, um frade dominicano. Sob sua orientação, ele iniciou um processo profundo de arrependimento e conversão.
Com o tempo, Bartolo tornou-se terciário da Ordem Dominicana, consagrando-se à oração, à caridade e à propagação do Rosário. Em 1872, mudou-se para Pompeia, onde encontrou uma pequena capela em ruínas.
Com fé e esforço, ele reconstruiu o templo e o transformou em um espaço de evangelização. Assim nasceu o Santuário de Nossa Senhora do Rosário de Pompeia, que se tornaria um dos maiores símbolos da devoção mariana na Itália.
O apóstolo do Rosário
A partir de então, Bartolo Longo dedicou sua vida a espalhar a devoção ao Rosário. Ele acreditava que essa oração era uma poderosa arma contra o mal e a desesperança.
Seu lema, “Quem propaga o Rosário é salvo!”, inspirou multidões e consolidou sua fama de “apóstolo do Rosário”.
Além da missão espiritual, Bartolo também se dedicou à caridade prática. Fundou orfanatos, escolas e instituições para acolher crianças órfãs e filhos de presidiários. Dessa forma, transformou a fé em ação, mostrando que a verdadeira conversão se manifesta em gestos concretos de amor.
Da conversão à santidade
O exemplo de Bartolo Longo espalhou-se rapidamente. Sua vida, marcada pela redenção e pelo serviço ao próximo, chamou a atenção da Igreja. Em 26 de outubro de 1980, o papa João Paulo II o beatificou, reconhecendo oficialmente suas virtudes heroicas e o poder de seu testemunho.
Décadas depois, em 2025, o papa Leão XIV anunciou sua canonização, marcando o reconhecimento definitivo de sua santidade. A cerimônia será celebrada em 19 de outubro, no Vaticano, junto com outros seis novos santos.
O legado de uma alma redimida
Hoje, a trajetória de Bartolo Longo serve como um lembrete poderoso de que ninguém está além da misericórdia de Deus. O homem que um dia se entregou às trevas tornou-se um instrumento de luz, fé e esperança.
Sua história inspira fiéis do mundo inteiro a reencontrar o caminho da fé e acreditar que, por meio da oração e do arrependimento, toda vida pode ser transformada.





