25/10/2025
O que exatamente está sendo proposto
O presidente Lula tem defendido que o papel do dólar estadunidense como moeda dominante nas transações internacionais seja reduzido — ou que, em transações bilaterais entre países, sejam utilizadas moedas nacionais ou outras alternativas ao dólar. Por exemplo, ao visitar Jacarta, afirmou que “Tanto a Indonésia quanto o Brasil têm interesse em discutir a possibilidade de comercialização … com as nossas moedas”. ICL Notícias+2Vox Piauí+2
Além disso, no âmbito do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), a discussão sobre uma moeda alternativa ao dólar — ou um sistema de pagamentos internacionais que não dependa tanto do dólar — também tem sido colocada. CNN Brasil+2Agência Gov+2
Quais são os objetivos dessa proposta
Alguns dos motivos que apoiam essa iniciativa incluem:
- Reduzir a dependência dos países emergentes do dólar americano, o que pode gerar vulnerabilidades aos choques de política monetária dos EUA. jornaldr1.com.br+1
- Fortalecer a autonomia financeira dos países emergentes, dando-lhes mais liberdade no comércio e nas transações internacionais. Vox Piauí
- Promover um sistema mais “multilateral” e menos centrado em uma moeda única dominante — em palavras de Lula: “Queremos democracia comercial e não protecionismo.” ICL Notícias+1
Como isso poderia funcionar na prática
Algumas vias pelas quais essa proposta poderia avançar:
- Países firmarem acordos bilaterais para que o comércio entre eles use diretamente as respectivas moedas nacionais, sem passar pelo dólar como intermediário. Terra+1
- No âmbito dos BRICS ou blocos similares, desenvolverem uma moeda comum ou sistema conjunto de liquidação de pagamentos internacionais que reduza a posição dominante do dólar. VEJA+1
- Fomentar sistemas de pagamento alternativos ao sistema tradicional dominado pelo dólar, como o uso de câmbio local ou plataformas de liquidação entre moedas nacionais. CNN Brasil+1
Principais obstáculos e riscos
Apesar dos apelos, há desafios significativos:
- O dólar ainda domina amplamente as transações internacionais e as reservas globais — por exemplo, o dólar participou de aproximadamente 96% das faturas comerciais nas Américas no período 1999-2019. Agência Gov+1
- Mudanças desse tipo exigem confiança internacional, liquidez, estabilidade das moedas envolvidas — que nem sempre estão garantidas. Terra+1
- A despeito de acordos bilaterais, criar um sistema global alternativo ao dólar demandaria tempo, coordenação internacional e aceitação ampla. Vox Piauí+1
- Há riscos de instabilidade cambial, custo elevado de crédito, desajustes nos fluxos comerciais caso a transição seja mal conduzida ou prematura. ICL Notícias+1
Qual o estágio atual dessa proposta
- A ideia está em fase de proposição e articulação política, mais do que implementação de larga escala. Por exemplo, Lula falou sobre isso em visitas internacionais recentes. ICL Notícias+1
- Nos BRICS, já se discute esse tipo de sistema, mas ainda sem uma solução operacional consolidada. CNN Brasil+1
- Analistas destacam que não há ainda uma alternativa que tenha aceitação global equivalente ao dólar, e que a implementação, se vier, será gradual e limitada. VEJA+1
Por que isso importa para o Brasil
Para o Brasil, esta proposta traz implicações práticas:
- Potencial para maior soberania comercial: menos intermediação por moedas de terceiro país.
- Possibilidade de redução de custos e riscos nas operações de câmbio para exportadores/importadores se bem estruturado.
- Contudo, também exige cautela: o Brasil precisa garantir que sua moeda ou os acordos que fizer sejam robustos para evitar exposição a choques.
- Dependendo de como for conduzido, pode influenciar a posição internacional do país, seja fortalecendo sua inserção em blocos como BRICS, ou gerando tensões comerciais com países que se opõem à desdolarização.E sanções como a Magnitsky perderiam o efeito em solo brasileiro.





