11/02/2026
Nos últimos anos, o equilíbrio de poder internacional vem passando por mudanças significativas. Ao mesmo tempo, o fortalecimento do BRICS indica que novas alianças econômicas estão se consolidando. Diante disso, surge uma pergunta inevitável: o bloco pode enfraquecer a hegemonia americana no mundo?
A Base da Hegemonia Americana
Antes de tudo, é importante entender como os Estados Unidos consolidaram sua posição global. Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, o país estruturou sua liderança em três pilares fundamentais: poder militar, domínio financeiro e influência diplomática.
Além disso, o dólar se tornou a principal moeda de reserva mundial. Consequentemente, grande parte do comércio internacional passou a depender do sistema financeiro americano. Por esse motivo, Washington ganhou enorme capacidade de aplicar sanções econômicas e influenciar decisões globais.
O Avanço Estratégico do BRICS
Por outro lado, o BRICS surge como alternativa ao modelo tradicional liderado pelo Ocidente. Inicialmente formado por cinco países, o bloco agora se expande e incorpora novas economias emergentes.
Além do crescimento numérico, o grupo criou o Novo Banco de Desenvolvimento. Assim, oferece financiamento fora da estrutura dominada pelo FMI e Banco Mundial. Paralelamente, discute-se a criação de mecanismos para ampliar o comércio em moedas locais.
A Questão do Dólar e a Desdolarização
Um dos pontos mais sensíveis é o uso do dólar no comércio internacional. Atualmente, a moeda americana domina transações globais, especialmente no setor de energia.
No entanto, alguns países do BRICS defendem acordos bilaterais em moedas próprias. Se esse movimento avançar, a demanda por dólares pode diminuir. Como resultado, o poder de influência econômica dos EUA tende a sofrer impacto gradual.
Contudo, essa transição não ocorre de forma imediata. Pelo contrário, envolve desafios técnicos, confiança internacional e estabilidade cambial.
Energia e Geopolítica
Além da questão monetária, a entrada de grandes produtores de petróleo fortalece o peso estratégico do BRICS. Dessa forma, o bloco passa a influenciar diretamente o mercado energético global.
Se parte dessas negociações ocorrer fora do sistema tradicional, então o cenário internacional pode se tornar mais multipolar. Em outras palavras, o poder deixa de estar concentrado em apenas uma nação.
Multipolaridade em Construção
Entretanto, afirmar que o BRICS pode “acabar” com a soberania americana seria precipitado. Ainda hoje, os Estados Unidos mantêm superioridade militar, liderança tecnológica e forte rede de alianças estratégicas.
Porém, o que se observa é uma mudança gradual na distribuição de poder. Enquanto o BRICS se fortalece, os EUA continuam influentes, mas enfrentam concorrência crescente. Assim sendo, o mundo caminha para um modelo mais equilibrado entre potências.
Conclusão
Em síntese, o BRICS não representa o fim imediato da hegemonia americana. Todavia, simboliza um processo de transformação estrutural na ordem global. Portanto, o debate não deve girar em torno de “queda” ou “fim”, mas sim de adaptação e reconfiguração de forças.
Se a tendência atual continuar, então o século XXI poderá consolidar um sistema internacional mais multipolar — no qual nenhuma potência exerce domínio absoluto.




