22/01/2026
A chamada economia real — aquela que envolve a produção de bens, a prestação de serviços, o emprego e a renda das famílias — segue enfrentando um cenário complexo no Brasil. Embora alguns indicadores apontem estabilidade ou até leve crescimento, na prática a percepção da população e dos pequenos empreendedores continua marcada pela perda de poder de compra, pelo crédito caro e pelas dificuldades para manter atividades produtivas.
Consumo pressionado e renda comprometida
O consumo das famílias, por sua vez, segue como um dos principais termômetros da economia real. Atualmente, ele é diretamente impactado pela combinação entre inflação acumulada, endividamento elevado e juros altos. Ainda que haja desaceleração inflacionária em alguns setores, itens essenciais como alimentação, energia e transporte continuam pesando de forma significativa no orçamento doméstico.
Como consequência, a renda do trabalhador, especialmente nas faixas de menor poder aquisitivo, não acompanha o aumento do custo de vida. Dessa forma, o comércio local sente os efeitos imediatos, registrando queda no volume de vendas e, ao mesmo tempo, aumento da inadimplência.
Crédito caro trava investimentos
Outro fator central para a economia real é o acesso ao crédito. Nesse contexto, pequenos e médios empresários relatam dificuldades para financiar capital de giro ou expandir seus negócios. Além disso, as taxas de juros elevadas tornam muitas operações bancárias inviáveis, levando empreendedores a adiar investimentos, reduzir equipes ou, em casos mais graves, encerrar atividades.
Do mesmo modo, o consumidor final enfrenta um cenário restritivo. O crédito pessoal e o parcelamento no varejo ficaram mais limitados e caros. Consequentemente, o consumo desacelera e cria-se um ciclo de retração econômica que impacta diretamente o nível de emprego.
Mercado de trabalho: números e realidade
Os dados oficiais de emprego indicam relativa estabilidade. Entretanto, a economia real revela um quadro mais sensível. Em grande parte, as novas vagas estão concentradas em empregos informais, temporários ou com menor remuneração. Na prática, isso resulta em menos segurança financeira e maior vulnerabilidade para milhões de brasileiros.
Além disso, setores tradicionais como indústria e construção civil, historicamente responsáveis por grande volume de empregos formais, enfrentam oscilações frequentes. Por esse motivo, as contratações permanecem limitadas.
Pequenos negócios sentem primeiro os impactos
Os micro e pequenos empresários, como regra, são os primeiros a sentir os efeitos de qualquer desaceleração econômica. Com isso, margens de lucro cada vez mais apertadas, alta carga tributária e custos operacionais crescentes pressionam a sobrevivência dos negócios.
Nesse cenário, feiras, comércios de bairro, prestadores de serviço e produtores locais relatam queda na demanda. Ao mesmo tempo, encontram dificuldades para repassar custos ao consumidor, o que compromete a sustentabilidade dessas atividades.
Desafios estruturais e perspectivas
A recuperação consistente da economia real depende, sobretudo, da superação de desafios estruturais históricos. Entre eles, destacam-se a necessidade de uma reforma tributária eficiente, a simplificação do ambiente regulatório, o estímulo à produção e políticas públicas voltadas à geração de emprego formal.
Sem essas mudanças, os avanços observados em indicadores macroeconômicos dificilmente chegam ao cotidiano da população. No curto prazo, especialistas avaliam que a economia brasileira deve manter crescimento moderado. No entanto, os impactos tendem a ser desiguais entre setores e regiões.
Conclusão
Em síntese, a economia real no Brasil reflete as dificuldades enfrentadas pela maioria da população. Enquanto consumo, crédito e renda não caminham de forma equilibrada, o crescimento permanece limitado e frágil. Assim, o principal desafio do país não é apenas melhorar números oficiais, mas garantir que a recuperação econômica seja sentida de forma concreta no dia a dia do cidadão.





