02/12/2025
Há histórias em que a tragédia não leva apenas uma vida — leva duas.
Algumas pessoas se deixam consumir pelo luto, pelo ódio e pela busca incessante de um culpado, como se sua própria existência tivesse sido soterrada junto com quem partiu. A vida congela, a carreira desaparece e a identidade se dissolve na dor.
O mais cruel é que, nesses bastidores, quase sempre existe uma verdade não dita.
Uma verdade incômoda, guardada a sete chaves, escondida para não gerar escândalo.
Uma verdade que o próprio coração conhece, mas a consciência se recusa a encarar.
E quando alguém escolhe ignorar essa verdade — por orgulho, por medo, por dor — acaba vivendo uma vida que não é mais vida.
A morte física é definitiva, mas a morte emocional é silenciosa, lenta e muito mais cruel.
E há pessoas que, mesmo respirando, já estão muito mais mortas do que aqueles que se foram.
A tragédia, nesses casos, não é apenas o que aconteceu no passado — mas o que continua acontecendo dentro da pessoa que se recusa a seguir adiante.
Mais doloroso do que perder alguém é perder a si mesmo.
E quando a vida se transforma em prisão emocional, a existência vira sombra, e o tempo deixa de curar e começa a corroer.
Alguns escolhem viver pela memória de quem se foi.
Outros escolhem morrer com ela.




