Internacional

De Narcotraficantes a ‘Pescadores Indefesos’: Como a Mídia Transforma Criminosos em Vítimas

embarcações com apreensão de drogas

25/10/2025

Introdução

Nos últimos dias, o noticiário brasileiro voltou a gerar polêmica. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou a operação militar dos Estados Unidos que eliminou suspeitos de tráfico internacional. Ele afirmou que os mortos eram “pescadores inocentes”. A declaração reacendeu o debate sobre o papel da mídia e a forma como parte da imprensa escolhe moldar a percepção pública.


A guerra das narrativas

Enquanto o governo americano apresentou provas de que a embarcação transportava drogas, diversos veículos brasileiros preferiram destacar os mortos como “trabalhadores do mar”. Essa escolha de palavras, embora pareça inofensiva, altera completamente o entendimento da notícia.
Com esse tipo de narrativa, o público deixa de enxergar o crime e passa a sentir empatia pelos acusados. Assim, a mídia cria uma história emocional que suaviza a gravidade dos fatos e distorce a realidade.
Além disso, o termo “pescador” provoca uma imagem de simplicidade e vulnerabilidade. Esse detalhe reforça a sensação de injustiça e transforma suspeitos em vítimas — uma técnica comum de manipulação de narrativa.


A influência da mídia na opinião pública

Hoje, a maioria das pessoas forma sua opinião com base em títulos e manchetes. Por isso, a forma de escrever vale tanto quanto o conteúdo. Quando o jornalista opta por termos amenos, ele interfere diretamente na forma como a sociedade interpreta o acontecimento.
Consequentemente, o público se confunde e começa a questionar quem realmente está certo. Essa dúvida interessa a quem lucra com a instabilidade política e social. Portanto, o jornalismo que manipula deixa de informar e passa a influenciar.
Além disso, a repetição constante de manchetes distorcidas faz o leitor acreditar em versões criadas para atender a grupos específicos. Dessa maneira, a imprensa transforma informação em instrumento de poder.


O impacto político e social

Quando líderes e comunicadores defendem pessoas envolvidas com o tráfico, a sociedade perde a referência do que é certo. A manipulação emocional gera compaixão pelos culpados e desprezo pelas instituições que combatem o crime.
Com isso, o combate ao narcotráfico enfraquece e a impunidade cresce. A desinformação também serve para dividir a população e desviar o foco de problemas reais, como segurança e economia.
Por outro lado, o jornalismo responsável fortalece a democracia. Ele expõe fatos com clareza, questiona com respeito e busca a verdade sem favorecer ideologias. Portanto, é essencial que a imprensa volte a colocar os fatos acima das emoções.


Conclusão

A verdade precisa ocupar novamente o centro da notícia. Em um cenário de polarização e manipulação, o cidadão deve aprender a ler criticamente e comparar fontes.
Quando a mídia escolhe o lado da emoção, ela abandona seu compromisso com a realidade. Assim, a sociedade perde a capacidade de pensar livremente e passa a repetir o que ouve.
Por isso, informar com responsabilidade não é apenas uma obrigação — é um dever moral diante da verdade.