09/10/2025
A Organização das Nações Unidas (ONU) voltou a alertar sobre o agravamento da crise alimentar global. De acordo com o relatório mais recente do Programa Mundial de Alimentos (PMA), cerca de 345 milhões de pessoas sofrem com insegurança alimentar severa. Esse é o maior número registrado nas últimas duas décadas.
Causas da crise
O documento explica que conflitos armados, mudanças climáticas e aumento dos custos logísticos estão entre os principais motivos para o avanço da fome.
A guerra no Leste Europeu e os confrontos no Oriente Médio reduziram a oferta de grãos e fertilizantes. Como resultado, países dependentes de importações — como Egito, Líbano e Sudão — enfrentam sérias dificuldades para manter o abastecimento interno.
Além disso, o aumento no preço dos combustíveis e a queda na produção agrícola em razão de secas prolongadas ampliaram o problema. Em diversas regiões da África e da Ásia, famílias precisam racionar alimentos básicos como arroz, trigo e milho para sobreviver.
Consequências econômicas e sociais
Segundo o PMA, a alta nos preços dos alimentos atinge principalmente as populações mais pobres. Essa realidade provoca desnutrição infantil, colapso das economias rurais e ondas migratórias.
Na América Latina, países como Haiti, Venezuela e Honduras sentem os efeitos combinados da inflação e da desvalorização de suas moedas. Por isso, o acesso a produtos essenciais torna-se cada vez mais difícil.
A diretora executiva do PMA, Cindy McCain, afirmou que “a fome está crescendo mais rápido do que a capacidade global de resposta”. Para ela, ações coordenadas e urgentes são necessárias para evitar uma tragédia humanitária.
Caminhos para a solução
Diante da gravidade da situação, líderes internacionais se reuniram em Genebra. O encontro discutiu medidas para conter o avanço da fome e fortalecer a segurança alimentar. Entre as propostas estão:
- a criação de um fundo global de estabilização alimentar;
- incentivos à agricultura sustentável em países de baixa renda;
- a redução de tarifas sobre importações agrícolas;
- e o reforço de programas humanitários em regiões críticas.
Apesar da disposição política, especialistas alertam que a falta de coordenação entre os países ainda dificulta a implementação de soluções eficazes. No entanto, muitos acreditam que a cooperação internacional pode mudar esse cenário, se houver vontade política e compromisso com metas concretas.
Perspectivas futuras
A ONU prevê que, sem mudanças estruturais, o número de pessoas em fome extrema pode ultrapassar 400 milhões até 2030.
Por isso, organizações civis defendem investimentos em tecnologia agrícola, educação nutricional e redução do desperdício de alimentos. Essas medidas, segundo analistas, são fundamentais para garantir o futuro alimentar do planeta.





